ET Ceteras...

terça-feira, maio 14


Tua vida se resumiu em dizer apenas reticências, falar poucos ET ceteras e grunhir poucos hum ou aham. Toda a tua existência se deu em falência. Toda sua vida era lida. Toda uma farsa, asfaltada por pedras preciosas.
        
Ser e ter não são iguais, ter é o que lhe deu a oportunidade, Ser é o que te fez ir atrás.

Não fosse a consequência, a causa seria inerte. Apenas um flerte entre Yin e Yang, apenas tua face, de aço plástico olhando para o infinito.

Veja, não fosse seu Ser, não haveria de se ter tal contenda, haveria de ter apenas uma breve batalha. Mas tua existência falha expunha uma comunidade em falácia, uma plebe putrefata e uma nobreza de ordem aristocrática podre. Governantes pobres e políticos com tons de nobres. Que fim tinha, hein, filha?  

Lucca

domingo, maio 5


Perdido em devaneios, ia seguindo uma trilha sinuosa por dentro de um terreno baldio que em sua mente era um precipício imenso, com seu fim sem fim. Era uma criança, sim, uma criança inocente, mas, abandonada à própria sorte em uma terra de dragões e bruxas.
         A imaginação de Lucca era sem dúvida uma das coisas que mais admiravam nele, sua professora Marta admirava como aquele garotinho de 9 anos escrevia bem e imaginava coisas tão grandes, pra alguém recém-letrado. 

Imaginavam Lucca como um aluno superdotado ou algo do gênero, enquanto o garoto sonhava estar em uma terra de Dragões. Marta era a rainha do Reino dos Dragões Imperiais, os mais perigosos no Mundo de Lucca, o mundo de Dragões que Lucca sonhava estar.
         Ele era o caçador de dragões daquela terra, ele que deveria mata-los para salvar os humanos, e todo dia matava um. Todo dia algum dragão sumia, mas nunca Marta e isso começou a ocupar a mente do pequeno Lucca...

Lucca tinha pesadelos enquanto dormia, os dragões os cercavam e quase sempre ele acabava mutilado ou machucado gravemente, a ponto de morrer. A imaginação de Lucca era tão detalhista que ele sentia tanto a dor, quanto via  suas vísceras dilaceradas.
         E quase sempre, Marta o matava. Mas, nesta noite, Lucca teve um sonho tão forte, que ao acordar, pegou papel e caneta e pôs-se a escrever o plano que teve em sonho, pra matar o último dragão que existia. Era complexo, ele ia precisar de muitos objetos que estavam espalhados pelo Mundo, mas com algum tempo os conseguiria.

Lucca demorou três meses para conseguir todos os objetos que precisava, aproximavam-se as férias de verão. Ele tinha três semanas pra colocar seu plano em prática, ardiloso para uma criança e engenhoso para um cavaleiro.

Marta começou a chamada, Lucca levantou e pediu para ir ao banheiro. Foi sozinho como sempre, voltou e sentou-se. Pegou sua pastinha com vários desenhos e textos. Sacou seu plano e o pôs sobre a mesa. Pegou um lápis e seu apontador.

Lucca quebrou o apontador para conseguir pegar a lâmina, com a lâmina na mão começou a afiar o lápis, até conseguir furar seu próprio braço. O cheiro do sangue iria atrair o dragão. Logo Marta  se aproximou.

         “O que foi isso pequeno Lucca?” disse Marta olhando para o braço de Lucca que pingava sangue, voltou para sua mesa, abriu a segunda gaveta, onde guardava medicamentos e começou a procurar algo para fazer um curativo no braço do menino.
Lucca, venha cá, sim?” disse Marta chamando o garoto, ao chegar perto, Marta exclamou que não achava nada. Lucca disse que talvez estivesse na última gaveta. Ele sabia que estava lá porque ele havia posto lá.

Marta abaixou para abrir a gaveta, num pulo, Lucca pôs-se em guarda. O dragão deixou sua guarda baixa, seu ponto vital, seu pescoço a mostra. Num movimento magistral, Lucca cravou sua espada no pescoço do dragão.

Marta caiu no chão formando uma poça de sangue instantânea no carpete, e o lápis de Lucca em sua jugular.
         A única reação das crianças que estavam na sala foi chorar em silêncio, enquanto o pequeno Lucca sentava-se no seu lugar normal e comia sua maçã. 

Fada Verde


Ora, por hora nada
Alada, vai a sua morada
Em cavalgada, vai a sua mente.

Demente, infelizmente.
Fada alada em cavalgada
Divaga de mente em frente.

Forte, indolente
Crente, em frente.

Dor em mente
Fada da mente.

Dor à frente.

Saudade em mente

Fada sem mente

Fada verde em mente.